Notícias
Por ano letivo

Parlamento dos Jovens - Rumo aos Nacionais

20 Mar 2018

Rumo aos nacionais

A Escola Cardeal Costa Nunes, da Madalena do Pico, marcou presença na sessão regional do projeto “Parlamento dos Jovens” do ensino básico com os deputados Madalena Ourique e Leonardo Costa, cujo tema era “Igualdade de género”.

Início deste percurso nos regionais


No dia 4 de março, pelas 15:00 horas, saímos da ilha acompanhados da Exma. Professora Lucília Amaro que nos tem acompanhado nesta jornada, tendo chegado à ilha vizinha (ilha do Faial) por voltas das 15:30. Após o nosso desembarque, fomos levados para o Hotel Horta onde ficámos instalados nos 3 dias que permanecemos na cidade. Nesse mesmo dia, encontrámo-nos com vários deputados de outras escolas criando laços entre nós.


O dia na Assembleia

 

Finalmente era o grande dia, o dia decisivo (5 de março de 2018). Todos começámos este dia bastante cedo, preparadas para o longo dia na ALRAA (Horta).
Pelas 8:30, encontrávamo-nos já na Assembleia na ansiedade de iniciar a sessão.
Rondando as 9:00 horas, havia começado a cerimónia de abertura por Sua Excelência, a Presidente da Assembleia Dra. Ana Luís, que deu início à mesma com uma introdução ao tema, igualdade de género, manifestando a sua opinião, nomeando algumas situações em que podemos presenciar essa desigualdade terminando com uma palavra de afeto e incentivo aos deputados participantes e aos presentes.
A abertura procedeu-se à apresentação da presidente da mesa, Magda Souda da ES Jerónimo Emiliano de Andrade (Terceira), dos seus constituintes como a vice-presidente Catarina Emílio da EB1,2,3/ S Mouzinho da Silveira (Corvo) e a secretária Laura Rego da ES Vitorino Nemésio (Terceira), e de todas as escolas e deputados participantes.
Não só estava presente a Exma. Dra. Ana Luís , como a senhora deputada Graça Silveira do CDS-PP, o senhor deputado João Castro do PS e o Diretor Regional da Educação, Exmo Sr. José António Simões Freire.
Todas estas Exmas figuras políticas fizeram uma pequena apresentação aos presentes, principalmente direcionada aos deputados.
Posteriormente ao discurso de sua Excelência a Presidente da ALRAA, teve a palavra a Sra. Deputada Graça Silveira , começando também por introduzir o tema com a sua opinião sobre o mesmo e a sua discussão, apelando a certas situações de desigualdade como, por exemplo, a diferenciação de salários entre géneros na execução da mesma função em certas empresas e também à questão da inexistência de iniciativa da parte de muitas mulheres para exercerem certos cargos por serem do sexo que são e não pelas suas capacidade de execução e que na sua opinião, este aspeto tem que ser mudado com alguma urgência.
De seguida, apresentou as suas ideias o Sr. Deputado João Castro iniciando então com a sua opinião sobre o projeto “Parlamento dos Jovens” afirmando que este tem como um dos objetivos preparar os jovens alunos para uma próxima experiência política e numa continuação da sua opinião refere que é bastante bom assustos importantes como este serem debatidos pelos jovens sendo que estes são o futuro e poderão dar continuidade à resolução do problema não querendo dizer que esta seja possível.
Para finalizar os discursos, foi dada a palavra ao Exmo. Diretor Regional da Educação Sr. José António Freire que nas suas palavras, referiu que a educação contribui para o devido respeito e cumprimento das leis da Constituição incluindo o tema debatido deste ano, a igualdade.
Dando continuidade à sessão, a presidente da mesa fez um breve resumo do que iria ser feito naquele dia na Sala de Plenário para de seguida se iniciar o período de perguntas aos deputados da Assembleia.
Depois, foi nos permitido a nós jornalistas entrevistar a Exma. Presidente da Assembleia Dra. Ana Luís em que a minha questão consistiu em “Gostaria de lhe perguntar o porquê das cotas femininas serem 33% e não 50% para ambos os géneros, sendo que isto não iria resolver o problema da desigualdade mas podia vir a ser um passo à mesma?” e respondendo a esta, Sua Excelência deu-me a seguinte resposta: É uma boa pergunta. É, tens razão, em bom rigor, se nós queremos uma verdadeira igualdade, as cotas deviam ser de 50%. Mas como também já vos disse, esta questão das cotas é muito polémica e muitas mulheres não concordam com ela. Não concordam porquê? Eu dou-vos um exemplo. Na maior parte das listas o terceiro lugar é sempre uma mulher pelos tal 33% e já aconteceram casos em que não é assim mas a maior parte das listas é. Não sendo perfeitamente unânime a importância da cota, a verdade é que impô-la a 50% seria muito complicado. Para já, muito provavelmente não a teriam e neste caso eu vou ser muito sincera, nós dizemos que é uma cota de género, ou seja, nada obriga que tenha que ser para mulheres mas nós sabemos e eu acho que dificilmente nós conseguiriamos ocupar os 50% de cota porque efetivamente, e digo-vos, a maior parte dos lugares, das funções que nós achamos que as mulheres deveriam estar a trabalhar ou a exercer, elas não estão por sua iniciativa ou seja, não há aqui ninguém que diga que não quer um grupo de mulheres a trabalhar naquilo ou naquele lugar, a maior parte das vezes é porque as mulheres acham que não vão ter tempo para poder conciliar tudo ou porque não querem ter muita notoriedade porque isso também depois pode prejudicar a sua vida familiar e isso faz, na minha opinião, com que não fosse possível alcançar esse objetivo e porque também como te digo não é unânime, por exemplo, esta questão das cotas para as empresas cotadas em bolsa, a maior parte das mulheres é contra porque estamos a falar de empresas privadas que estamos dizer que obrigatoriamente eles têm que ter mulheres no conselho de administração mas elas podem não ser competentes e nós queremos estar nesses lugares porque somos competentes, porque temos capacidade para exercer essas funções e não porque somos mulheres e eles serem obrigados a colocar uma mulher porque senão não poderiam estar cotados em bolsa e é como a questão das listas, o que nós queremos acreditar, e eu quero muito acreditar que quando fui convidada para liderar a lista pelo Faial em 2012, foi porque efetivamente confiavam nas minhas capacidades e na minha competência para vir a ser deputada pela ilha do Faial e não porque “que chatice temos que pôr mulheres na lista, vamos lá ver que mulheres é que temos” ”.
Enquanto nós entrevistávamos a Exma Dra. Ana Luís, já havia começado o debate dos projetos-base sendo atribuídos assim 5 minutos de tempo de antena a cada escola começando então pela apresentação dos Projetos de Recomendação (1,30 minutos po escola) e de seguida o debate na generalidade em que foram feitos pedidos de esclarecimento e apreciações gerais sobre projetos de outras escolas (3,30 por escola).

Seguindo-se ao debate, passou-se à votação na generalidade para aprovar o projeto-base sendo que o que obteve mais votos foi o da nossa escola, Cardeal Costa Nunes.
Já com o projeto-base definido, e antes da deixar a sala para a interrupção para o almoço foi pedido aos deputados para depositar o seu voto sobre o tema do debate de 2019.
De estômago cheio, voltámos à ALRAA para continuar a sessão. Foram criados 5 grupos de modo a estes trabalharem independentemente nas propostas de alteração de redação (até 3 propostas por grupo, apenas uma de eliminação). Após a entrega das propostas na mesa, foi dada a palavra ao deputado representante de cada lista para defender a eliminação daquela medida do projeto-base e também a qualquer outro grupo que quisesse contra-argumentar sobre a mesma. Das medidas vencedoras foi eliminada a medida número 1 (“Os tribunais deverão pronunciar-se sobre a nova residência dos pais separados, evitando que a distância física comprometa o normal e regular acompanhamento da criança, nas várias necessidades da vida, até que a mesma atinja a maioridade, não sobrecarregando nenhum dos pais.”)


Finalizando o debate e a votação das propostas de alteração em plenário, concluímos com o Projeto de Recomendação do Círculo definido com 4 medidas sendo estas a primeira da escola Vitorino Nemésio (Terceira), a segunda da escola de Vila Franca do Campo (S. Miguel) e a segunda e terceira da Cardeal Costa Nunes (Pico):
- “Fiscalização e penalização das empresas que não promovam a igualdade de género e a igualdade salarial.”
- “Tornar obrigatório por lei, a igualdade salarial entre homens e mulheres pelo desempenho de funções laborais idênticas, nas empresas privadas, e providenciar a fiscalização do cumprimento da lei.”
- “Criação de zonas neutras onde se encontrarão os fraldários.”
- “Nas lojas de especialidade, classificar os brinquedos apenas por faixas etárias e respetivos interesses e nunca por género.”
Após medidas definidas, passou-se à eleição das 4 escolas para a Sessão Nacional onde foi feita uma chamada por escola para entregarem o seu voto nas urnas.
Na ansiedade e nervosismo de saber as escolas mais votadas, foram anunciados os resultados sendo estes a ES Antero de Quental (S.Miguel) representada pelas sras. Deputadas Frederica Pacheco e Caroline Pimentel, a ES Vitorino Nemésio (Terceira) representada pelos srs. deputados Pedro Rosário e Ivo Moreno, a EB2,3/S Cardeal Costa Nunes (Pico) representada pelos senhores deputados Madalena Ourique e Leonardo Costa e a EB2,3/S de Vila Franca do Campo representada pelos senhores deputados Martim de Sousa e Xavier Novo.
De modo a finalizar esta longa sessão, procedeu-se à eleição do Porta-Voz do Círculo Nacional. Para este candidataram-se os srs. Deputados Leonardo Costa e Frederica Pacheco sendo que Frederica ficou intitulada de Porta-Voz pela maioria dos votos e assim deu-se por encerrada a sessão.
Por volta das 18:00 deixámos a ALRAA, seguimos para o jantar e pelas 20:30 fizemos uma visita ao maravilhoso Vulcão dos Capelinhos.
Orgulhosos e prontos para a Sessão Nacional, pelas 9:00 horas abandonámos a ilha do Faial.

Jornalista
Maria Pereira, 9.º C

Ler 151 vezes Modificado em Terça, 20 Março 2018 15:43

Itens relacionados